CONJUNTURA ECONÔMICA DO POVOADO




        A economia do povoado em meados de 1930 era movimentada basicamente pela agricultura e pelo curtume de couro, os quais empregavam homens e mulheres e até crianças. Com a incidência de longos períodos de seca na região, a atividade agrícola ficou comprometida. E o curtume passou a ser a principal atividade econômica do Povoado, realizado na praça que hoje é conhecida como praça dos coxos, onde ficavam os coxos ou tanques para curtir o couro e os varais para secar o couro já curtido.

Praça do coxos, onde eram realizado o curtume.

restos do alicerce dos coxos, usados no curtume.
O couro que era curtido no povoado, vinha de Feira de Santana, após o processo de curtição, a sola era levada de volta para Feira. Os homens. O trabalho para curtir o couro foi muito bem descrito pela senhora Josete:

" O inicio daqui o trabalho daqui era o curtume de couro, os mais velhos curtiam o couro, primeiro eles espichavam com umas varas para o couro ficar sequinho, tirava as varas, o couro ficava todo seco e durinho, depois botava dentro do rio para amolecer, ficava a faixa de 5 dias , ficava mole, depois fazia uns cavaletes, tipo umas formas de madeira  e ai tirava o cabelo todo manual, dividia o couro no meio, tirava o pêlo todinho, cavava uns buracos no chão chamado coxo, botava cal, cinza e deixava curtir, depois em outros coxo botava casca de pau para tintar a água, as mulheres batiam as casca e jogava para a água ficar vermelha, ai pegava a pele no inicio chamava couro, mas depois do processo chamava de pele, botava dentro dos coxo com as cascas por cima deixava uns 8 dias para tintar a pele, depois de tintar, tirava a casca toda e a pele ai botava pra secar, fazia uma fileira de corda tipo varal de pano, ai estendia  e ficava 3 ou 4 dias dependendo do tempo, se fosse no verão era mais rápido, no inverno demorava mais, ficava seca, quando ela secava podia bater para amaciar , enrolava as peles umas por cima das outras ai batia com uns paus para amaciar, batia de todos os lados, ela ficava toda macia, ai eles imalavam e iam vender em feira de Santana, em lombo de animal, por que ainda não tinha transporte”. 
O rio, onde o couro era lavado.
Alguns donos dos coxos de curtume como Sinfrônio Barreto, João Andrade, Caboclo, Bento Caetano, Manuel Caetano Tidório e Zuca. Algumas das mulheres que batiam casca eram: Grossa, Ana, Malaquias, Guinera, Josefa, Valda, o trabalho das crianças era levar o couro dos coxos para o rio. 

A decadência do curtume de couro, se deu por volta do ano de 1964 com a incidência de fortes chuvas na região, o couro não secava e começava a fofar, as cascas de angico colocadas para tingir o couro apodreciam, e assim o couro apodrecia e não tinha como vender.

Com o enfraquecimento da agricultura e a decadência do couro, foi intensificado o trabalho nas olarias, durante o inverno trabalhava, nas roças, plantando basicamente milho, feijão e mandioca. 



O povoado Alto, foi um produtor de telhas e tijolos, o que gerava muitos empregos, pois além dos oleiros que faziam as telhas, mulheres e homens trabalhavam nas enfornagens , nas queimas de fornos, nas desenfornagens dos fornos, nos carregamento de caminhões de telhas, enfim tudo isso gerava renda e trabalho para a população local. E de alguma forma movimentava o pequeno comércio, visto que os próprios moradores compravam tijolos e telhas para as construções de casas, além das vendas para povoados vizinhos, sede do município e Feira de Santana, serrinha, Euclides da Cunha, Monte Santo, Sul da Bahia e até mesmo para outros estados, como Sergipe, Ceará. No entanto, com o surgimento da telha de cerâmica produzida por meio de maquinas, a telha fabricada manualmente perdeu espaço no comércio local principalmente, da mesma forma o tijolo, rapidamente foi substituído pelo bloco. E assim sucedeu a grande decadência do comércio de telhas e tijolos no povoado.



Olaria de Telha.
Olaria de telha


forno de olaria de telha.


A mandioca era plantada em menor quantidade, basicamente para o sustento da família, pois era utilizada nas casas de farinha, onde se fazia farinha de mandioca, os beijús que eram vendidos, e ainda tirava a goma de tapioca. Hoje, existe apenas uma casa de farinha ativa no povoado, mas que trabalha apenas para o sustento da família. No verão, o trabalho nas olarias de telha e tijolos eram intensificados.






casa de farinha ainda em funcionamento.
casa de farinha desativada

Algumas pessoas da comunidade também faziam manualmente artefatos de cerâmica como, pratos de barro, aribès, potes, muringas, potes e panelas, esses materiais eram queimados nos fornos das olarias e vendidos na comunidade.
Pote feito no povoado.

Panela de barro.

Atualmente, a população altense sobrevive basicamente do programa social do bolsa família, devido a decadência de algumas fontes de renda que anteriormente existiam no povoado. A geração de renda era movida basicamente pela criação de gado, ovelhas, cabras e pela agricultura, praticada geralmente para o sustento da própria família, além do trabalho das olarias com a produção de tijolos e telhas. Contudo devido à incidência de secas na região, tanto a agricultura quanto a criação de animais ficam afetadas pela grande escassez de chuva, e dessa forma os animais acabam morrendo.  Mas mesmo assim, ainda existem alguns pequenos produtores que se arriscam a plantar e criar gado.


Mas, de alguma forma, ainda mostra os resquícios da civilização do couro, na economia local, com o trabalho indireto com a produção de artefatos de couro, como carteiras e bolsas, o povoado ainda tem como fonte de renda mesmo, que pequena, o trabalho com material que é fornecido para fábricas que trabalham com couro. E um trabalho de fabricação de acessório porta documento de plástico, fornecido para fábricas que produzem carteiras de couro ou nappa.
Porta documento.
Este trabalho com fabricação de carteiras, é desenvolvido nas chamadas Tendas, mas ainda é insuficiente para a quantidade de habitantes. Neste sentido, o Turismo de Base Comunitária pode ser uma alternativa para gerar renda e trabalho na comunidade.  

Como você considera a economia da sociedade altense?



12 comentários:

  1. Bom ja foi melhor lembro que as pessoas plantava mais na hora de vender tinha o lucro pq antes a gente tinha um bom inverno hj ñ o q se planta é o suficiente para o consumo

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    1. é verdade, hoje a agricultura no povoado está bastante comprometida, pois a incidência de secas prejudicam as plantações.

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  2. pois é,todas essas fontes de renda existiam,hoje ainda existe alguma herança do couro como por exemplo, uma pequena fabrica de porta documentos, mas é muito pouco para movimentar a economia da comunidade. Assim, a maioria das pessoas sobrevivem de programas sociais do governo federal.
    Sem fonte renda, a maior parte da população, principalmente os jovens migraram para os centros urbanos, desde a sede município à grandes capitais como, São Paulo.

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    1. A civilização do couro, ainda tem suas marcas, não só no povoado como em todo município de Tucano. Esperamos esperançosos que surjam mais oportunidade de emprego, para que as famílias não tenham que sofrer tanto com a ausência dos filhos que vão tentar a vida nas grandes cidades.

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  3. Minha avó passou maior parte da sua vida trabalhando na roça pois seu dinheiro do bolsa família não era o suficiente. por isso ela tinha que arrancar feijão. ir para as olearias que antigamente era muito comum para construção de casas. mais hoje em dia acabou tudo a mais utilizada é a cerâmica que fica na rua nova que constrói teias,e blocos.
    Andresa costa

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    1. O Alto, foi um grande produtor de telhas, era uma fonte de renda para homens e mulheres durante o verão.

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  4. Eu também me lembro muito desse tempo das olarias, acho que elas eram o único meio de trabalho para as pessoas do Alto, que trabalhavam fazendo telha e tijolo, enfornando, queimando forno e carregando os carros e caminhões que levavam telhas e tijolos para vender em outras cidades , e era assim que eles conseguiam ganhar dinheiro para sobreviver e ajudar nas despesas de casa.

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    1. As olarias por muito tempo asseguraram a sobrevivência das famílias altenses, já que o trabalho nas casas de farinha era realizado por apenas duas famílias do povoado.

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  5. eu moro aqui na rua dos coxos desde criança mas não imaginava que era por que antigamente tinha curtume de couro. Me lembro que quando eu era criança, as olarias ainda funcionavam, e eu ia todos os dias levar café para o meu pai, que saía de casa de casa 3 horas da manhã para ir bater tijolo nas olarias , e retornava meio dia para almoçar e às 4 da tarde voltava para molhar e bater o barro. Era uma vida difícil, mas hoje nem isso tem para as pessoas que estão desempregadas.

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    1. Levar café para as olarias era o oficio de quase todas as crianças do povoado, alguns levavam para os pais, outros para tios, e outros iam apenas como acompanhante.

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  6. Nossa Parabéns isso nao sabia nao em sou o SANDRO ANDRADE DOS SANTOS

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  7. acho linda a história de sobrevivência do alto, em saber que as olarias por muito tempo assegurou a sobrevivência das famílias altenses no verão, mesmo com o sol quente e o calor trabalhavam para o sustento da família

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